Na manhã desta sexta-feira, 15 de maio, a Polícia Federal (PF) deu início à Operação Sem Refino, que tem como um de seus principais alvos o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL. A operação busca investigar supostas irregularidades fiscais ligadas à Refit, anteriormente conhecida como Refinaria de Manguinhos.
Detalhes da Ação Policial
Os agentes da PF realizaram buscas na residência de Castro, situada em um luxuoso condomínio na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. De acordo com informações do portal G1, o político acompanhou as atividades da polícia ao lado de seus advogados. Após cerca de três horas de investigações, os agentes deixaram o local levando malotes com documentos e outros materiais apreendidos.
Mandados e Alvos da Investigação
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e se insere no contexto da ADPF das Favelas, que aborda o combate à criminalidade e a atuação de organizações criminosas com possíveis ligações a agentes públicos no estado do Rio. Além de Cláudio Castro, outros alvos incluem o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do Estado Renan Saad.
Suspeitas e Consequências Financeiras
As investigações levantam suspeitas de que a Refit utilizou sua estrutura empresarial para ocultar patrimônio e disfarçar bens, além de movimentar recursos para o exterior. O STF determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros vinculados ao grupo econômico, assim como a suspensão das atividades das empresas sob investigação.
Ricardo Magro e a Difusão Vermelha
Ricardo Magro, controlador da Refit, teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, um mecanismo que facilita a localização e prisão de investigados em outros países. Atualmente, autoridades afirmam que Magro reside fora do Brasil, o que complica ainda mais a investigação.
Histórico da Refinaria de Manguinhos
As irregularidades associadas à Refinaria de Manguinhos já estavam sendo apuradas desde 2025, quando a empresa foi alvo da Operação Poço de Lobato. Naquela ocasião, as autoridades estimaram um prejuízo superior a R$ 26 bilhões aos cofres públicos, revelando uma complexa estrutura financeira que visava a manipulação de tributos e a ocultação de lucros.
Situação Atual de Cláudio Castro
Cláudio Castro não ocupa mais um cargo público, tendo renunciado ao governo do Rio de Janeiro em março deste ano, pouco antes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. No momento, o estado é administrado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio.
Reação e Defesa do Ex-Governador
A assessoria de imprensa de Cláudio Castro se manifestou, afirmando que a defesa do ex-governador foi surpreendida pela operação e que ainda não tinha acesso aos detalhes do pedido de busca e apreensão. No entanto, os advogados garantem que Castro está disponível para prestar quaisquer esclarecimentos, reafirmando que todas as ações durante sua gestão respeitaram as normas legais e técnicas vigentes.
Conclusão
A Operação Sem Refino destaca um caso sério de investigação sobre corrupção e irregularidades fiscais no estado do Rio de Janeiro, envolvendo figuras proeminentes da política e do empresariado local. O desdobramento desta operação poderá ter implicações significativas para a política fluminense e para a confiança pública nas instituições, enquanto a Justiça busca esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos.

