Grupo Mateus Sob Suspeita: Carne Associada a Desmatamento e Trabalho Escravo

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Uma recente investigação da organização ambiental Mighty Earth expõe graves preocupações sobre a origem da carne bovina comercializada pelo Grupo Mateus, a terceira maior rede supermercadista do Brasil. O estudo revela que a empresa está entre os piores desempenhos no que diz respeito à transparência e controle da cadeia de fornecimento, com produtos provenientes de frigoríficos associados a práticas de trabalho escravo e desmatamento.

Resultados da Investigação

O levantamento, que analisou 430 produtos de carne bovina em 38 lojas do Grupo Mateus nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Sergipe, identificou que 54% dos itens avaliados apresentaram classificações negativas em critérios de sustentabilidade. Essas categorias, que vão de 'Muito Ruim' a 'Pode Melhorar', indicam vínculos diretos com frigoríficos que possuem histórico de desmatamento e trabalho análogo à escravidão.

Histórico de Violações e Processos Judiciais

Além das questões ambientais, a análise revelou um alarmante histórico de violações de direitos humanos e trabalhistas. Com mais de 2.900 processos judiciais ativos, a empresa enfrenta indenizações que somam cerca de R$ 139 milhões desde 2023. Os dados levantados destacam casos de extrema gravidade, incluindo mortes e torturas de trabalhadores, especialmente de homens negros, em supermercados pertencentes à rede.

Fornecedores e Compromissos Socioambientais

A investigação também apontou que 85% dos frigoríficos que fornecem carne ao Grupo Mateus não são signatários do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne. Este compromisso setorial visa proibir a comercialização de gado associado ao desmatamento ilegal na Amazônia. Apesar de seu faturamento superior a R$ 36 bilhões e a presença em 110 cidades, a companhia não implementou políticas de governança socioambiental compatíveis com as exigências do mercado.

Reações e Futuro da Empresa

João Gonçalves, diretor global da Mighty Earth, criticou a postura do Grupo Mateus, afirmando que a empresa deve escolher entre continuar a contribuir para a degradação ambiental ou seguir o exemplo de seus concorrentes, adotando compromissos claros para a rastreabilidade e transparência de sua cadeia de fornecimento. Desde abril de 2024, a organização tenta contato com a empresa, mas não obteve resposta até o momento.

Desmatamento e Monitoramento

O sistema de monitoramento Rapid Response, que analisa a exposição do Grupo Mateus a áreas de desmatamento, registrou entre 2024 e 2025 pelo menos 5.147 hectares de áreas desmatadas que podem estar associadas à cadeia de fornecimento da empresa. Este número reflete apenas o que foi rastreado com base nos produtos coletados, sugerindo que a realidade pode ser ainda mais alarmante, dada a falta de transparência na cadeia produtiva.

Conclusão

A investigação revela uma situação crítica no Grupo Mateus, que pode impactar negativamente sua reputação e operações futuras. A ausência de compromissos claros em relação ao desmatamento e ao trabalho escravo coloca a empresa em uma posição vulnerável, tanto social quanto ambientalmente. A pressão por mudanças e maior responsabilidade na cadeia de fornecimento de carne bovina é uma exigência crescente por parte da sociedade e dos consumidores.

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