Metas não cumpridas? Veja como recomeçar sem culpa

Especialista explica como lidar com a frustração das metas não cumpridas e mostra que ainda há tempo para rever objetivos e recomeçar.

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Cuidar mais da saúde, economizar dinheiro, começar um curso, praticar exercícios ou finalmente tirar um antigo projeto do papel. O início do ano costuma ser marcado por promessas e novos objetivos. Mas, quando os meses passam e os resultados não aparecem como esperado, é comum surgir uma pergunta: o que fazer com as metas que ainda não foram cumpridas?

Com a chegada de agosto e o avanço do segundo semestre, muitas pessoas percebem que parte dos planos feitos no começo do ano ficou pelo caminho. A situação pode provocar frustração, culpa, ansiedade e sensação de fracasso, principalmente quando existe a impressão de que o tempo está acabando.

Mas não cumprir uma meta dentro do prazo inicialmente planejado não significa necessariamente fracassar.

Por que ficamos frustrados quando não cumprimos uma meta?

A neuropsicóloga e professora do Unifacimp Wyden, Priscilla Correia, explica que a frustração é uma resposta natural diante de uma expectativa que não se concretizou.

“Quando estabelecemos uma meta, não investimos apenas tempo. Depositamos expectativas, emoções e, muitas vezes, parte da nossa identidade naquele objetivo. Quando ele não se concretiza como imaginávamos, é comum interpretar isso como um fracasso pessoal, quando, na verdade, trata-se apenas de um resultado diferente do esperado”, analisa.

Um dos principais problemas, segundo a especialista, está no chamado pensamento de “tudo ou nada”.

A pessoa falta alguns dias à academia e acredita que perdeu todo o progresso. Sai da dieta e decide abandoná-la completamente. Atrasa o cronograma de estudos e passa a considerar que não conseguirá mais concluir o curso.

“A pessoa pensa: ‘já estraguei tudo’. Esse tipo de pensamento aumenta a culpa e faz com que ela abandone completamente a meta, quando pequenos desvios fazem parte de qualquer processo de mudança”, explica Priscilla.

Pressão por resultados pode aumentar a culpa

Outro fator importante é a cobrança por produtividade. A busca constante por resultados rápidos pode fazer com que pequenos atrasos sejam vistos como grandes fracassos.

Segundo Priscilla, é importante separar o desempenho pessoal do próprio valor como indivíduo. Nem sempre um objetivo que fazia sentido no início do ano continua adequado meses depois.

Mudanças financeiras, familiares, profissionais e até alterações na rotina podem exigir uma revisão dos planos.

Por isso, antes de abandonar uma meta, a recomendação é fazer algumas perguntas: esse objetivo ainda é importante? Continua fazendo sentido para a minha realidade? O que mudou desde o começo do ano?

“Adaptar uma meta não significa desistir. Significa reconhecer que a vida muda e que nossos planos também podem mudar”, orienta a especialista.

Como retomar metas que ficaram para trás?

Em vez de tentar recuperar vários meses de uma só vez, uma alternativa é transformar grandes objetivos em pequenas ações possíveis de serem realizadas semanalmente.

Quem pretendia economizar uma determinada quantia até dezembro, por exemplo, pode recalcular o objetivo de acordo com a situação financeira atual. Quem queria praticar exercícios cinco vezes por semana pode começar com duas ou três. Já quem planejava concluir um curso pode estabelecer algumas horas fixas de estudo por semana.

O mais importante é criar uma rotina que possa ser mantida.

Também é necessário reconhecer os pequenos avanços. Concentrar-se apenas no resultado final pode esconder todo o progresso conquistado durante o caminho.

Ainda dá tempo de cumprir as metas neste ano?

Para quem acredita que o ano já está praticamente perdido, Priscilla destaca que não existe uma data obrigatória para começar ou recomeçar.

“Não existe um único momento certo para recomeçar. Janeiro é apenas uma data no calendário. Qualquer dia pode marcar o início de uma mudança importante”, afirma.

Agosto, portanto, pode ser utilizado como um novo ponto de partida. Ainda há meses pela frente para reorganizar prioridades, abandonar objetivos que perderam o sentido e estabelecer metas mais realistas.

A especialista também reforça a importância da autocompaixão durante esse processo.

“Cuidar da saúde mental não atrasa os resultados. Pelo contrário: pessoas emocionalmente saudáveis costumam ter mais persistência, criatividade e capacidade para enfrentar desafios. O sucesso sustentável acontece quando aprendemos a caminhar sem exigir perfeição”, conclui.

Mais importante do que tentar cumprir exatamente tudo o que foi planejado no início do ano é entender o que ainda faz sentido para a vida atual. Uma meta pode ser reduzuzida, adaptada ou até substituída.

O segundo semestre não precisa representar uma contagem regressiva para aquilo que não foi feito. Pode ser justamente a oportunidade de recomeçar com objetivos mais possíveis, menos cobrança e maior consistência.

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