Os resultados mais recentes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), referentes ao ano de 2025, revelam que, apesar de o Brasil ainda apresentar um desempenho inferior ao de países desenvolvidos, a diferença tem diminuído ao longo dos últimos anos. A divulgação foi feita na terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que aplica a avaliação a cada três anos, focando no aprendizado de estudantes de 15 anos nas áreas de matemática, leitura e ciências.
Resultados da Avaliação e Comparação com a OCDE
Os dados de 2025 mostram que o Brasil permanece abaixo da média dos países membros da OCDE em todas as disciplinas avaliadas, com 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Em contrapartida, as médias da OCDE são de 466, 469 e 486 pontos, respectivamente. Essa disparidade implica que o Brasil apresenta cerca de 4,6 anos de atraso em matemática, considerando que cada intervalo de 20 pontos equivale a um ano escolar.
Evolução ao Longo do Tempo
Uma análise dos dados desde 2006 revela que a diferença no desempenho entre o Brasil e a média dos países da OCDE tem diminuído significativamente. No período de 2006 a 2025, a disparidade em leitura reduziu de 102 para 58 pontos, em matemática de 131 para 92 pontos e em ciências de 113 para 77 pontos. Isso demonstra um avanço considerável, refletindo esforços em políticas educacionais e metodologias de ensino.
Perfil dos Estudantes Avaliados
Na edição de 2025 do Pisa, participaram 30.140 estudantes brasileiros, predominantemente de escolas estaduais (72,4%), com a maioria delas localizadas em áreas urbanas (96,9%). A maior parte dos alunos estava matriculada na 1ª ou 2ª série do Ensino Médio, e as provas foram realizadas entre abril e maio do mesmo ano. O foco desta edição foi em ciências, área na qual o Brasil mostrou a maior evolução ao passar de 403 para 409 pontos em comparação com o ciclo anterior.
Recuperação Pós-Pandemia
O Brasil também se destacou na recuperação dos índices educacionais após a pandemia de covid-19, superando a média da OCDE. Entre 2018 e 2025, o país não apenas recuperou seu desempenho anterior em ciências, como também registrou perdas menores em leitura e matemática em comparação com a média da OCDE. Essa recuperação é um indicativo do potencial de adaptação e resiliência do sistema educacional brasileiro.
Novos Domínios de Avaliação
O Pisa 2025 introduziu um novo domínio de avaliação, focando na "Aprendizagem no Mundo Digital". Este novo componente inclui a Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC) e Processos de Aprendizagem Autorregulada. O Brasil obteve 406 pontos em RPFC, um resultado abaixo da média da OCDE, que é de 500 pontos. A Coreia do Sul lidera esse aspecto com uma média de 538 pontos.
Uso de Celulares e seu Impacto
Na pesquisa, os alunos também responderam a questionários sobre o uso de celulares em sala de aula. Os resultados demonstraram que 81% dos estudantes brasileiros estavam em escolas com restrições ao uso de dispositivos móveis, um aumento significativo em relação aos 37% de 2022. Esse dado é superior à média da OCDE, que é de 49%. O Ministério da Educação (MEC) atribui essa mudança à implementação de uma nova legislação que visa regulamentar o uso de celulares na educação básica.
Interesse e Engajamento dos Estudantes
Além dos resultados acadêmicos, a pesquisa também revelou aspectos do perfil dos alunos. Em 2025, 72% dos estudantes brasileiros manifestaram interesse por diversas áreas de conhecimento, e 59% relataram que se esforçam mais diante de desafios. Esses dados sugerem que, apesar das dificuldades, há um potencial significativo entre os alunos para engajamento e curiosidade.
Considerações Finais
Os resultados do Pisa 2025 ressaltam tanto os avanços quanto os desafios enfrentados pela educação brasileira. Embora a redução da diferença de desempenho em relação aos países desenvolvidos seja encorajadora, ainda há um longo caminho a percorrer. A continuidade de políticas eficazes, a adaptação a novas realidades e o fortalecimento do interesse dos estudantes são fundamentais para melhorar ainda mais os índices educacionais no futuro.


