Reportagem da Piauí Revela Esquema de Corrupção Judicial Envolvendo a ‘Rainha do Pó’ e Desembargador Federal

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Uma reportagem investigativa da Revista Piauí aponta para um sofisticado esquema de corrupção no Judiciário brasileiro, no qual a maior narcotraficante do país, Karine de Oliveira Campos, conhecida como a 'Rainha do Pó', teria desembolsado milhões de reais para influenciar decisões judiciais. As revelações, publicadas na edição de janeiro de 2026 da revista, trazem à tona um suposto pagamento de R$ 1,5 milhão destinado ao Desembargador Federal Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que prontamente negou qualquer envolvimento com o caso ou com advogados relacionados.

As Revelações da Piauí e a Teia da Corrupção

A matéria de capa da Piauí, intitulada “Anaias da corrupção – Duvido não aceitar”, assinada pelo jornalista Allan de Abreu na Edição 232, detalha como Karine Campos, figura central no tráfico internacional de cocaína para a Europa, teria orquestrado um sistema complexo para subornar membros da Justiça. A reportagem choca o cenário jurídico ao indicar o nome do magistrado maranhense Ney de Barros Bello Filho como beneficiário de alegados pagamentos feitos por narcotraficantes em troca de sentenças favoráveis. A publicação promete expor as entranhas de um submundo de influência ilícita que busca minar a integridade do sistema judicial.

A Evasão da 'Rainha do Pó' e a Operação Alba Virus

O enredo da 'Rainha do Pó' ganhou contornos cinematográficos em 27 de agosto de 2019, durante a deflagração da Operação Alba Virus. Esta ação da Polícia Federal, que mobilizou trinta mandados de busca, tinha como objetivo desarticular um robusto esquema de tráfico de cocaína para a Europa. Naquele dia, por volta das 6h40, policiais federais foram à residência de portão branco de Karine Campos no bairro Carandá Bosque, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. No entanto, a traficante, surpreendentemente, conseguiu evadir-se da prisão. Apresentando-se como Sandra de Oliveira, sua própria mãe — que, na verdade, era presa em Itajaí, Santa Catarina, a 1,2 mil quilômetros dali — Campos ludibriou os agentes. A equipe da PF, ignorando a falta de um documento de identidade e a presença de mais de 5 mil reais em espécie na bolsa da mulher, aceitou a explicação e apreendeu apenas bens materiais. Apesar da gravidade da situação, uma sindicância interna da Polícia Federal sobre a conduta dos policiais no local foi arquivada sem encontrar irregularidades, levantando questões sobre a competência ou a lisura do procedimento.

O Império do Tráfico e a Estratégia da Impunidade

Mesmo após a fuga espetacular, a Operação Alba Virus impôs sérios reveses ao império criminoso de Karine Campos. Considerada a maior narcotraficante brasileira em um segmento dominado por homens, ela havia movimentado mais de 3 toneladas de cocaína para o exterior somente no segundo semestre de 2018, utilizando portos estratégicos como Santos (SP), Paranaguá (PR) e Navegantes (SC). A operação resultou na prisão de sua mãe e de dez de seus subordinados, que coordenavam a logística do transporte da droga. Com seu nome e o de seu marido, Marcelo Mendes Ferreira, incluídos na lista da Interpol, a 'Rainha do Pó' se viu numa encruzilhada. Preocupada com a perspectiva de retornar à prisão, oito anos após ambos terem cumprido pena, Campos intensificou seus esforços. Ela teria passado a articular com outros traficantes, lobistas e advogados para corromper o Judiciário, não apenas em ações penais decorrentes da Alba Virus, mas em outras operações que visavam a ela, seu cônjuge e seus aliados. Essa prática de suborno à cúpula do Judiciário teria se tornado uma constante em sua atuação nos últimos seis anos.

O Posicionamento do Desembargador Ney Bello

Diante das graves imputações veiculadas pela Revista Piauí, o Desembargador Federal Ney Bello emitiu uma nota oficial à própria revista, refutando veementemente qualquer alegação de envolvimento. O magistrado do TRF1 negou qualquer tipo de relação ou contato com advogados ou partes citadas no contexto do esquema de corrupção judicial detalhado na reportagem, buscando esclarecer sua posição frente às acusações que abalam o cenário jurídico brasileiro.

As revelações da Revista Piauí expõem uma trama de corrupção que, se confirmada, representará um dos mais chocantes episódios de deturpação da Justiça brasileira. O caso da 'Rainha do Pó' e as acusações de pagamentos a um desembargador federal jogam luz sobre a persistente vulnerabilidade do sistema a influências ilícitas, ao mesmo tempo em que a rápida negativa do magistrado envolvido exige um aprofundamento das investigações para que a verdade seja estabelecida e a confiança na instituição seja preservada.

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