O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indeferiu neste sábado (28/3) um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que visava flexibilizar as condições de sua prisão domiciliar temporária. A solicitação principal buscava garantir "livre acesso" aos filhos do político, que cumpre pena em casa devido a questões de saúde. A decisão reitera a excepcionalidade da medida e as rigorosas normas impostas pela corte.
Diferenciação nas Regras de Visitação Familiar
A defesa de Jair Bolsonaro argumentou que as condições atuais de sua prisão domiciliar criavam uma disparidade entre seus filhos. Conforme as normas em vigor, os descendentes que residem na mesma propriedade do ex-presidente desfrutam de acesso irrestrito. Contudo, para os demais filhos que não coabitam com Bolsonaro, aplicam-se regras mais restritivas, assemelhadas às de uma instituição prisional. Para estes, as visitas são permitidas apenas às quartas-feiras e sábados, em horários específicos: das 8h às 10h, das 11h às 13h e das 14h às 16h. Tal distinção foi o cerne da argumentação da defesa para a revisão das condições.
O Entendimento do STF: Regime Fechado Mantido
Ao rejeitar o pleito, o ministro Alexandre de Moraes sublinhou que a concessão da prisão domiciliar é uma medida de caráter provisório e altamente excepcional, fundamentada exclusivamente em imperativos de saúde do ex-presidente. Moraes foi categórico ao afirmar que essa substituição do local de cumprimento da pena não implica, de forma alguma, em uma alteração do regime penal imposto. O regime de cumprimento da pena permanece o fechado, conforme definido na condenação transitada em julgado. A simples mudança do ambiente de encarceramento não se confunde com uma progressão para um regime mais brando, mantendo Bolsonaro sob as estritas regras e restrições inerentes ao regime fechado, ainda que em sua residência.
Consequências e Detalhes da Pena Imposta
Moraes fez questão de alertar sobre as severas consequências de qualquer violação das normas estabelecidas para a prisão domiciliar. Qualquer infração implicará na imediata revogação da medida e no retorno do ex-presidente ao regime fechado em um estabelecimento prisional, ou, se necessário, a um hospital penitenciário. No que tange à aplicação dessas regras aos filhos, Flávio, Carlos e Jair Renan Bolsonaro, que não residem com o pai, já possuem autorização permanente para as visitas nos horários previamente definidos. Contudo, Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos, não obteve qualquer autorização para visitá-lo. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe e iniciou o cumprimento de sua pena domiciliar temporária de 90 dias na sexta-feira, 27 de março, após receber alta hospitalar.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes reforça o caráter rigoroso da Justiça em relação ao cumprimento da pena, mesmo sob condições especiais de saúde. Ao negar a flexibilização do acesso familiar, o STF sinaliza que a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, embora um alívio temporário do ambiente carcerário, mantém as restrições e o espírito do regime fechado, exigindo estrita obediência às suas determinações.


