Diante da crise gerada pelo novo plano comercial da Fifa, a Conmebol tem adotado uma abordagem cautelosa, evitando posicionar-se publicamente contra a proposta de Gianni Infantino. Enquanto outras confederações têm se manifestado de forma veemente contra a iniciativa, a entidade sul-americana opta por esperar uma definição institucional antes de tomar qualquer atitude.
O Projeto da Fifa e suas Implicações
A proposta da Fifa inclui a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova empresa destinada a centralizar operações comerciais e direitos relacionados às competições organizadas pela entidade máxima do futebol. A estrutura poderá receber investimentos de parceiros privados, mas a Fifa manterá o controle total da companhia.
Reações das Confederações
A resposta internacional ao projeto foi rápida e contundente. A Uefa, por exemplo, rejeitou a proposta por unanimidade entre suas 55 associações, afirmando que as seleções europeias não participarão de competições da Fifa enquanto a iniciativa estiver em vigor. A entidade europeia condicionou uma mudança de postura ao abandono do projeto e à manutenção do controle das competições.
Na Concacaf, o posicionamento também foi de reprovação, com a confederação expressando 'profunda preocupação' com a falta de um processo legal adequado em torno da proposta. A AFC, que representa o futebol asiático, seguiu a mesma linha, destacando a dificuldade de alcançar consenso em torno da FFE. Já as entidades da África e da Oceania decidiram realizar consultas internas antes de definir uma posição oficial.
A Postura da Conmebol e o Contexto Político
A Conmebol, ao ser questionada sobre o projeto, informou que está aguardando uma posição formal de sua sede em Assunção, no Paraguai. A CBF também declarou que ainda não possui uma manifestação oficial sobre a questão. Essa neutralidade coloca a América do Sul em uma posição singular, em contraste com a postura mais agressiva adotada por outras regiões do futebol mundial.
A relação próxima entre Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, e Gianni Infantino, desde que este assumiu a Fifa em 2016, pode influenciar a decisão da entidade. Domínguez já demonstrou apoio à continuidade de Infantino no cargo e, além disso, a América do Sul se prepara para sediar partidas da Copa do Mundo de 2030, que celebrará o centenário da competição.
Aspectos Financeiros e Governança
A Fifa apresenta a FFE como uma estratégia para aumentar os investimentos no desenvolvimento do futebol, com uma estimativa de alcançar um valor aproximado de US$ 20 bilhões. A entrada de investidores privados se daria através da venda de uma participação minoritária na nova empresa. O objetivo é captar recursos externos que ampliariam os repasses às federações nacionais e financiariam programas de desenvolvimento.
Gianni Infantino defende a iniciativa como 'uma oportunidade, não uma obrigação', assegurando que a Fifa continuará a controlar as decisões esportivas, políticas e regulatórias. No entanto, a possibilidade de abrir parte da estrutura comercial a investidores privados gerou preocupações entre as confederações, que veem nisso uma ameaça ao modelo de governança e ao controle das competições internacionais.
Conclusão
A Conmebol se posiciona cautelosamente em meio a um cenário de incertezas e divisões entre as confederações de futebol. Enquanto a proposta da Fifa gera reações adversas em várias partes do mundo, a entidade sul-americana aguarda uma definição institucional antes de se pronunciar, o que poderá moldar o futuro das competições e das relações comerciais no futebol global.


