O Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) atravessa um momento inédito em sua história de 80 anos, ao encontrar-se sem três de suas sete cadeiras ocupadas. A situação se agravou após a aposentadoria de dois conselheiros e o recente afastamento do presidente da Corte, Daniel Itapary Brandão, que é sobrinho do atual governador, Carlos Brandão. O controle sobre essas posições estratégicas está agora sob a administração do Ministro Flávio Dino, ex-governador do estado e figura central nesse processo.
O Histórico de Aposentadorias e Impasses
A sequência de aposentadorias no TCE-MA começou em fevereiro de 2024, quando o conselheiro Joaquim Washington Luiz de Oliveira solicitou sua aposentadoria antecipada. Normalmente, o governador teria a prerrogativa de indicar um substituto, mas Flávio Dino bloqueou essa possibilidade alegando irregularidades no processo de indicação realizado pela Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA). Apesar de a Assembleia ter corrigido os erros apontados, a vaga permanece sem ocupante.
Em fevereiro de 2025, a situação se repetiu com a aposentadoria de Álvaro César de França Ferreira, também sem que o governador pudesse indicar um novo conselheiro. Essas decisões têm gerado um vazio na Corte, que agora enfrenta um desafio de governança e funcionamento, dado que nunca antes havia ficado sem dois conselheiros titulares, quanto mais três.
O Afastamento de Daniel Brandão
O cenário se tornou ainda mais complicado com o afastamento de Daniel Itapary Brandão, que ocupava a presidência do TCE-MA. Este movimento foi impulsionado por uma decisão do Ministro Flávio Dino, que se baseou em uma delação controversa de Gilbson César Soares Cutrim Júnior, condenado por homicídio. A aceitação dessa delação por parte do STF gerou polêmica e levantou questões sobre a moralidade e a ética das decisões que estão moldando o futuro do TCE-MA.
Implicações para a Governança do TCE-MA
A ausência de conselheiros titulares no TCE-MA não é uma questão meramente administrativa, mas reflete um embate político significativo entre o governo estadual e o Judiciário. A centralização de poder nas mãos de Flávio Dino preocupa diversos setores da sociedade, que observam com atenção o desenrolar dessa situação. O Tribunal de Contas desempenha um papel crucial na fiscalização e na transparência das contas públicas, e sua eficácia pode ser comprometida sem a totalidade de seus conselheiros.
Expectativas Futuras
Com três cadeiras ainda vazias, o futuro do TCE-MA permanece incerto. A pressão por uma solução que permita a nomeação de novos conselheiros aumenta, especialmente em um contexto em que a credibilidade da Corte pode ser afetada. Enquanto isso, especulações sobre possíveis indicações e a dinâmica política entre os poderes seguem em pauta, refletindo a complexidade da governança no Maranhão.
O TCE-MA, que sempre foi um pilar da administração pública no estado, enfrenta um momento crítico que poderá definir seu papel e sua importância nos anos vindouros. A vigilância da sociedade civil e das instâncias políticas será fundamental para garantir que a Corte mantenha sua integridade e funcione de maneira eficaz.


