A investigação em torno do pagamento de R$ 8,8 mil em diárias a sete vereadores e um servidor da Câmara Municipal de Buriticupu está em andamento pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA). O foco da apuração é averiguar se os recursos públicos foram utilizados para fins institucionais e se os pagamentos obedeceram à legislação municipal vigente.
Contexto da Investigação
O caso envolve a presidente da Câmara, Vanusa Ibiapino Sousa Fernandes, e outros seis vereadores, além do chefe de gabinete, Talles Antônio Santos Ferreira. A investigação teve início a partir de uma representação apresentada por Luiz III da Silva e está sob a responsabilidade da 1ª Promotoria de Justiça de Buriticupu.
Divergências nos Valores das Diárias
Um dos pontos centrais da investigação é a discrepância entre os valores pagos e aqueles estabelecidos pela Lei Municipal nº 377/2017. Segundo a legislação, a diária integral para vereadores era de R$ 350, enquanto para servidores comissionados era de R$ 250. No entanto, os vereadores receberam R$ 600 por diária e o servidor ganhou R$ 400, resultando em uma diferença de R$ 3.650 a ser justificada.
Questionamentos sobre a Viagem
A Promotoria também levantou questões sobre as datas que constam nos documentos relacionados à viagem e as informações sobre uma reunião institucional na Secretaria de Estado de Articulação Política (SECAP). Apesar da Câmara e dos beneficiários alegarem que a viagem tinha finalidade institucional, documentos datados de 17 de junho indicavam uma permanência até o dia 19, gerando dúvidas sobre a veracidade das informações.
Análise dos Documentos
Os metadados dos arquivos enviados pela SECAP revelaram que a agenda do secretário foi gerada em 9 de setembro de 2026, e a pauta da reunião em 10 de setembro, embora os eventos em questão tenham ocorrido em junho. Embora essas datas não comprovem falsificação, o MPMA solicitou a apresentação dos documentos originais para verificar a cronologia dos eventos.
Justificativas e Divergências
Outro aspecto em análise é a natureza da viagem. A justificativa apresentada no Portal da Transparência indicava um encontro com Larissa DP e outros parlamentares no Palácio dos Leões. Contudo, relatos de participantes divergem: enquanto alguns descreveram a ocasião como uma visita de cortesia, Larissa da Silva Torres da Costa mencionou que o encontro ocorreu de forma casual em um restaurante, sem agendamento.
Objetivos da Apuração
A Promotoria busca comprovar a realização e o teor das alegadas reuniões institucionais, que deveriam abranger temas como a BR-222, a instalação de poços artesianos e a possível destinação de um veículo à Câmara Municipal. A decisão sobre o caso foi publicada no Diário Eletrônico do MPMA em 19 de outubro de 2026, destacando a seriedade com que a situação está sendo tratada.
A investigação em curso reflete a importância da transparência na utilização de recursos públicos e a responsabilidade dos agentes públicos em prestar contas sobre suas ações.


