Embora a medicina seja uma das profissões mais bem remuneradas, muitos médicos enfrentam o paradoxo de não conseguirem acumular um patrimônio proporcional à sua renda. Essa constatação é trazida à luz pelo médico Alexandre Augusto Gomes Alves, que, após mais de 31 anos de carreira, observou que a alta qualificação técnica não garante a construção de riqueza. Gomes, que se especializou na área de estética e contorno corporal, notou que, apesar de uma trajetória de sucesso, muitos profissionais se deparam com dificuldades para transformar sua renda em bens duradouros.
A Realidade da Profissão Médica no Brasil
Atualmente, o Brasil conta com cerca de 635 mil médicos ativos, conforme dados do Conselho Federal de Medicina (CFM). Para Gomes, um dos principais fatores que contribuem para essa disparidade entre renda e patrimônio é a falta de educação financeira adequada. Ele destaca que, embora uma alta renda possa abrir portas, ela não é sinônimo de segurança financeira. "A renda elevada cria oportunidades, mas não garante independência financeira", explica.
A Educação Financeira e a Formação Acadêmica
O interesse de Gomes por finanças começou ao administrar seu próprio patrimônio, o que o levou a buscar uma formação acadêmica em Finanças, Internet e Banking pela PUCRS. Sua experiência profissional, que inclui passagens pelo Brasil e Estados Unidos, ampliou sua compreensão sobre investimentos, sistemas tributários e a importância da diversificação patrimonial. Ele acredita que, embora a carreira médica seja uma fonte significativa de renda, ela não deve ser a única estratégia para garantir estabilidade financeira.
Os Desafios do Estilo de Vida e o Planejamento Financeiro
Um dos grandes obstáculos enfrentados por médicos é a chamada inflação do estilo de vida. À medida que a renda aumenta, as despesas e o padrão de consumo também tendem a crescer. Gomes alerta que muitos profissionais cometem erros comuns, como assumir compromissos financeiros sem um planejamento adequado, concentrar investimentos em poucos ativos e manter uma dependência excessiva de uma única moeda. "Há uma diferença enorme entre aparentar riqueza e efetivamente construí-la", enfatiza.
A Importância da Previdência e do Planejamento Patrimonial
A previdência é outro aspecto crucial que merece atenção especial. Com o teto do Regime Geral de Previdência Social previsto para 2026 em R$ 8.475,55, médicos que recebem acima desse limite precisam planejar sua aposentadoria e patrimônio com mais rigor. Gomes defende que a construção de patrimônio deve ser vista como uma responsabilidade financeira contínua, ao invés de algo que se faz com o que sobra no final do mês. "Uma parte da renda deve ser investida sistematicamente na construção de patrimônio antes de ser consumida", sugere.
Investimento e Planejamento: Uma Distinção Necessária
É fundamental distinguir entre investir e planejar. Enquanto o primeiro se refere à alocação de recursos, o planejamento envolve a definição de objetivos, a gestão de riscos e a eficiência tributária. Gomes compara o acompanhamento dos indicadores financeiros do patrimônio ao monitoramento dos indicadores clínicos dos pacientes, ressaltando a importância de uma gestão constante e informada.
Diversificação Internacional e Liberdade Financeira
Com sua experiência internacional, Gomes defende a diversificação internacional como parte essencial de uma estratégia patrimonial, sempre adaptada ao perfil e objetivos do investidor. Ele, pessoalmente, aloca cerca de 35% de sua carteira em renda fixa, 35% em ativos dolarizados, 20% em ações brasileiras e 10% em ativos alternativos, embora ressalte que essa composição não deve ser vista como uma recomendação universal.
Conclusão: O Caminho para a Liberdade Financeira
Para Alexandre Augusto Gomes Alves, o verdadeiro objetivo do planejamento financeiro não é a ostentação, mas sim a liberdade de escolha. Para os médicos, isso pode se traduzir em dedicar mais tempo à família, trabalhar menos ou continuar na profissão por paixão, não por necessidade financeira. Ele conclui que a riqueza não é resultado de um investimento milagroso, mas sim da disciplina e consistência em investir ao longo dos anos, apontando para uma mudança de perspectiva que pode beneficiar muitos profissionais da saúde.


