Hong Myung-bo, ex-técnico da seleção sul-coreana de futebol, se tornou alvo de intensos protestos e até ameaças de morte após a eliminação do time na fase de grupos da Copa do Mundo. A equipe aterrissou no Aeroporto Internacional de Incheon na madrugada de terça-feira (30/6) sob um rigoroso esquema de segurança, em meio a um grupo de torcedores insatisfeitos.
Segurança reforçada no retorno da delegação
Com o aumento da tensão entre os fãs e a equipe, mais de 100 agentes de segurança foram destacados para proteger a delegação. Para minimizar a exposição de Hong e de outros atletas, o grupo foi separado do restante dos passageiros e desembarcou em um local distinto. No entanto, torcedores presentes demonstraram seu descontentamento com faixas, gritos de protesto e ofensas direcionadas ao técnico, incluindo caricaturas que o comparavam ao personagem Pinóquio.
Críticas e exigências de investigação
A onda de revolta começou imediatamente após a confirmação da eliminação da Coreia do Sul, que terminou em terceiro lugar no Grupo A, atrás do México e da África do Sul. Com apenas três pontos acumulados, a seleção não conseguiu se classificar entre os melhores terceiros colocados, frustrando as expectativas dos torcedores. O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, expressou sua indignação, criticando diretamente a escolha de Hong como treinador e sugerindo que a nomeação foi baseada em favoritismos em vez de competência.
Consequências para Hong Myung-bo
Após o desastroso desempenho da equipe, Lee Jae Myung solicitou uma investigação por parte do Ministério dos Esportes para apurar as razões da eliminação e propor melhorias na gestão da seleção. Ele destacou que o resultado negativo não só desanimou a população, mas também levantou questões sobre a administração dos recursos públicos destinados ao futebol. Em meio a essa pressão, bares e restaurantes locais chegaram a afixar cartazes que proibiam a entrada do ex-técnico, enquanto a emissora KBS editou imagens para borrar seu rosto durante a transmissão.
A demissão e o histórico de Hong
Hong Myung-bo optou por se demitir poucas horas após as críticas do presidente, marcando o fim de sua breve passagem como técnico, cargo que assumiu em 2024. Na época de sua contratação, a escolha foi amplamente debatida, com muitos especialistas acreditando que houve interferência da Associação de Futebol da Coreia do Sul (KFA) na decisão, o que agora se mostrou uma decisão controversa.
Reflexão sobre o futuro do futebol sul-coreano
A eliminação precoce da Coreia do Sul na Copa do Mundo e as reações intensas que se seguiram lançam uma luz sobre os desafios enfrentados pelo futebol no país. A pressão por resultados imediatos e a crítica à gestão esportiva podem levar a uma reavaliação das estratégias adotadas pela KFA, além de gerar um debate mais amplo sobre o futuro da seleção e a necessidade de um planejamento a longo prazo para obter sucesso em competições internacionais.


