O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou uma significativa ampliação em seus serviços de teleatendimento, passando a oferecer até 100 mil atendimentos mensais para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. Esta nova iniciativa entrou em vigor nesta terça-feira, 4 de outubro, e reflete a crescente demanda por apoio nesse setor.
Crescente Demanda por Apoio
Inicialmente, o serviço estava disponível desde março, com uma média de apenas 600 atendimentos mensais. Contudo, o aumento na procura por ajuda motivou o Ministério da Saúde a expandir esse número substancialmente. A iniciativa é uma resposta direta ao aumento de casos de dependência em jogos online.
Como Funciona o Teleatendimento
Os teleatendimentos são realizados por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em colaboração com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). Esta ferramenta proporciona um atendimento remoto que é não apenas sigiloso, mas também acolhedor, oferecendo orientação e acompanhamento profissional. O serviço atua como um ponto de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), facilitando o encaminhamento para tratamentos mais especializados, se necessário.
Crescimento da Autoexclusão em Apostas
Dados recentes do Ministério da Saúde revelam que mais de 1 milhão de pessoas solicitaram a autoexclusão de seus CPF de plataformas de apostas, utilizando a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, uma ferramenta implementada pelo Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas. Desses, 35% tomaram essa decisão devido à perda de controle sobre suas atividades de apostas.
Sinais de Alerta e Fatores de Risco
O Ministério da Saúde listou diversos sinais de alerta que podem indicar problemas com jogos de aposta. Entre eles, estão mudanças no sono e na alimentação, mentiras para amigos e familiares sobre o ato de apostar, além de sentimentos de culpa e vergonha. Outros sinais incluem ansiedade e irritabilidade quando não se está jogando, uso de jogos como forma de alívio emocional, e dificuldades em controlar as apostas, que podem levar ao comprometimento das relações pessoais e ao aumento no consumo de álcool e outras substâncias.
Compreendendo os Fatores de Risco
Além dos sinais de alerta, o Ministério também destacou fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento de um vício em jogos. Isso inclui a exposição precoce a jogos de aposta, a facilidade de acesso a plataformas online, e a busca por alívio emocional ou fuga de problemas. Outros fatores como histórico de transtornos mentais, impulsividade e influências sociais que romantizam o jogo, além de solidão e vulnerabilidade social, também são considerados críticos na análise do comportamento de apostadores.
Conclusão
A ampliação dos teleatendimentos pelo SUS representa um passo importante na abordagem do vício em jogos de apostas, oferecendo suporte necessário a um número crescente de indivíduos afetados. Com a combinação de um atendimento acessível e a conscientização sobre os sinais de alerta e fatores de risco, espera-se que mais pessoas possam encontrar o auxílio necessário para superar essa questão. A iniciativa também destaca a importância de um debate mais amplo sobre a regulação e o acesso a jogos de aposta, visando minimizar os impactos sociais e psicológicos decorrentes dessa prática.


