Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que 15% dos bebês globalmente não têm acesso à cobertura vacinal completa durante o primeiro ano de vida. Os dados, divulgados em 15 de novembro de 2023, destacam a preocupante situação de 13,5 milhões de crianças que não receberam nenhuma vacina, além de 7,3 milhões que não completaram o ciclo básico de imunização, que inclui três doses da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP).
A Situação Global da Vacinação
O estudo, intitulado Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional, sugere que, apesar de um pequeno avanço em relação ao ano anterior, a taxa de crianças zero-dose permanece elevada. Em 2022, 116 milhões de bebês receberam ao menos uma dose da vacina DTP, um aumento de 750 mil em comparação a 2021. No entanto, o Unicef expressa preocupação, pois a manutenção desse índice de crianças sem vacinação pode levar a surtos de doenças infecciosas.
Os Riscos Associados à Baixa Cobertura Vacinal
Um dos principais pontos destacados no relatório é a queda no índice de vacinação contra o sarampo, com apenas 84% das crianças recebendo a primeira dose (MCV1) e 77% a segunda (MCV2). O limite seguro para a imunização contra essa doença é de 95%, o que levanta alarmes, pois mais de 411 mil casos de sarampo foram registrados globalmente em surtos que afetaram 57 países em 2025.
Desigualdades na Cobertura Vacinal
Os dados coletados de 195 países revelam que, embora 100 nações tenham mantido uma cobertura de pelo menos 90% na vacinação DTP desde 2019, muitos outros ficaram para trás. Entre os países que apresentaram baixa cobertura, apenas 30 conseguiram melhorar suas taxas nos últimos seis anos, enquanto 65 países, incluindo 13 em situações de conflito, não avançaram ou retrocederam.
Fatores Contribuintes para a Baixa Vacinação
Catherine Russell, diretora executiva do Unicef, afirma que conflitos, deslocamentos forçados e pobreza continuam a desproteger milhões de crianças. Esses fatores contribuem para a variabilidade na cobertura vacinal, especialmente em áreas afetadas por crises. O relatório aponta que mais da metade das crianças sem vacinação reside em contextos frágeis, onde a imunização enfrenta desafios significativos, como instabilidade política e falta de recursos.
Cenários de Vacinação em Países Específicos
O relatório também destaca a queda na cobertura vacinal em países de renda média e alta, atribuída a mudanças políticas e ao aumento da hesitação em vacinas. Exemplos alarmantes incluem a África do Sul e a Bósnia e Herzegovina, onde a cobertura da DTP1 caiu drasticamente nos últimos anos, apesar de melhorias em outros indicadores de saúde.
O Caso do Brasil
Em contraste com muitos países, o Brasil tem demonstrado uma melhora constante na cobertura vacinal, com a estimativa de 50 mil crianças zero-dose. O país avançou na integração de dados públicos e melhorou as taxas de imunização, embora a cobertura da tríplice (DTP-3) ainda seja considerada baixa, em torno de 86%. Contudo, a falta de um levantamento independente nos últimos cinco anos levanta questões sobre a precisão dos dados.
Perspectivas Futuras
Dr. Sania Nishtar, CEO da Gavi, enfatiza a importância da colaboração para alcançar níveis históricos de imunização. Ela ressalta que o verdadeiro desafio será manter o progresso frente a restrições orçamentárias e incertezas políticas. É crucial intensificar os esforços para garantir que as crianças desprotegidas tenham acesso à vacinação, especialmente em um cenário global em que surtos de doenças continuam a ameaçar a saúde infantil.
O relatório do Unicef serve como um alerta para a necessidade urgente de ação coletiva em prol da imunização infantil, destacando que a saúde das futuras gerações está em jogo.


